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09/03/2010
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Bovespa começou a semana em baixa e dólar saiu a R$ 1,788
A semana começou morna nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a testar os 69 mil pontos, mas terminou com leve baixa. Já o dólar fechou estável. Os contratos de juros futuros perderam prêmio de risco, apesar da piora nas estimativas de inflação.

Sem indicadores relevantes na agenda do dia, faltaram gatilhos para tomada de posições relevantes tanto no mercado doméstico quanto externo.

Em Wall Street, a indefinição também pautou o pregão. O Dow Jones fechou com queda de 0,13%. O S & P 500 recuou 0,02%. Já o Nasdaq subiu 0,25%.

Uma curiosidade: um ano atrás, ou seja, em 9 de março de 2009, o S & P 500 fazia mínimas para os últimos 12 anos. Desde então, o índice já acumulou alta de cerca de 70%, assim com o Dow Jones.

Voltando um pouco mais, há 10 anos, estourava a bolha das empresas ponto-com na bolsa eletrônica Nasdaq. Desde então, o índice nunca mais retomou a linha dos 5 mil pontos registrada naquela época.

De volta ao mercado local, Ilustrando bem a falta de estímulos a compras ou vendas na Bovespa, o Ibovespa oscilou apenas 752 pontos entre máxima e mínima, até fechar com leve baixa de 0,39%, aos 68.575 pontos. O giro somou R$ 6,16 bilhões, 23% menor que o registrado na sexta-feira. Na máxima, o índice testou os 69.070 pontos.

Para o sócio-diretor da Adinvest Consultoria, Fábio Cardoso, como a Bovespa se aproxima das máximas do ano, o investidor fica mais cauteloso. No entanto, essa queda da volatilidade é um sinal muito bom. É muito positivo ver o índice acumulando perto dos topos , explicou.

Olhando o campo externo, Cardoso ressalta que a situação envolvendo a Grécia se acalmou, mas ainda gera algumas dúvidas. Isso tem influência direta sobre a disposição do capital externo em investir em ativos de risco.

Por aqui, os investidores estrangeiros voltaram a comprar no começo de março depois de tirar mais de R$ 3,3 bilhões em janeiro e fevereiro. No acumulado de março até o dia 4, o saldo estrangeiro estava positivo em R$ 719 milhões.

No campo doméstico, o diretor avalia que o único ponto de preocupação é a inflação. No entanto, esse fenômeno decorre do aumento da atividade. Não é um ponto que preocupa, pois o Banco Central tem lidado bem com a inflação.

No câmbio, os compradores ganharam espaço conforme as bolsas aqui e nos EUA perdiam força. Mas no fim do dia, nem uma ponta nem outra acabou prevalecendo. O dólar comercial fechou praticamente estável (leve alta de 0,05%), a R$ 1,788 na venda.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda aumentou 0,32%, para R$ 1,790. O volume aumentou de US$ 45,75 milhões, na sexta-feira, para US$ 63,5 milhões. Os negócios no interbancário cresceram de US$ 1,7 bilhão para US$ 3 bilhões.

O vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, observou que o movimento de cautela deu o tom para o mercado na abertura desta semana, em meio à expectativa dos agentes em relação à possível adoção, por parte do governo, de medidas para conter a apreciação cambial.

Os contratos de juros futuros perderam prêmio de risco mesmo depois de o boletim Focus, do Banco Central, mostrar o sétimo aumento consecutivo na projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A mediana para o encerramento de 2010 passou de 4,91% para 4,99%, se distanciando cada vez mais do centro da meta de 4,5%. Mas, para 2011, a estimativa caiu de 4,53% para 4,50%.

Na avaliação do estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, o movimento dos DIs volta a demonstrar a divisão do mercado em relação ao próximo passo a ser adotado pelo BC.

Não existe um consenso com relação ao início do aperto monetário em março ou abril. Há uma enorme divisão de forças. A piora da expectativa de inflação já era esperada pelo mercado, e não foi justificativa para levar ao aumento dos prêmios , pontuou.

Nepomuceno aposta no começo da elevação da Selic no encontro deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom), com meio ponto de alta, para 9,25% ao ano.

A expectativa de inflação está deteriorada, a inflação corrente está rodando um pouco mais alta (do que se imaginava). O BC vai subir os juros, e, se demorar, a situação vai se deteriorar ainda mais. Ele precisa atuar antes da curva , comentou Nepomuceno. A Coinvalores projeta uma extensão de 2,5 pontos percentuais de aumento da taxa básica de juros, levando-a para o patamar de 11,25% ao ano.

Ao fim do dia na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, recuava 0,01 ponto percentual,, a 10,40%, enquanto o DI de janeiro de 2012 declinava 0,03 ponto, a 11,53%.

Mesma trajetória apresentaram os contratos dos primeiros meses de 2013 e de 2014, com queda de 0,03 ponto e 0,04 ponto, a 11,88% e 12,06%, respectivamente.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedia 0,01 ponto, a 9,24%, enquanto o DI de abril de 2010 mantinha taxa de 8,755%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 559.070 contratos, equivalentes a R$ 50,745 bilhões (US$ 28,47 bilhões), volume 60,8% inferior ao de sexta-feira passada. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 146.345 contratos, equivalentes a R$ 13,485 bilhões (US$ 7,566 bilhões).
Fonte: Globo
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